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Renováveis não garantem mitigação de mudanças climáticas

Torre de energia eólica em Natal (RN)

A produção de energias renováveis no Rio Grande do Norte, no Ceará e na Bahia não está alinhada a uma agenda governamental de capacidade de adaptação às mudanças climáticas e de mitigação delas, ou de adaptação a uma transição energética efetiva. Estudo da UFRN mostra que, apesar dos esforços e investimentos, esses estados pouco ou quase não apresentam potencial ou habilidade para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas, o que corrobora para o argumento de falta de sinergias e de alinhamentos entre as energias renováveis e as mudanças climáticas, principalmente do ponto de vista da adaptação.

O trabalho de Rylanneive Teixeira, resultado de sua tese de doutorado, a primeira no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (PPEUR/UFRN), mostra que essas tecnologias são ainda pouco incorporadas pelos governos e atores institucionais, inclusive sem um diálogo adequado com o setor privado e com a sociedade civil. A pesquisa foi orientada pela professora Zoraide Pessoa, do Instituto de Políticas Públicas (IPP/UFRN) e pesquisadora do núcleo Natal do Observatório das Metrópoles.

Teixeira, que também integra o Observatório, buscou investigar como os estados do RN, do CE e da BA constroem capacidades adaptativas às mudanças climáticas, incorporando as energias renováveis como estratégias do ponto de vista da mitigação e, sobretudo, da adaptação climática. Para isso, foram desenvolvidos estudos de casos utilizando-se de pesquisa documental, dados secundários e pesquisa de campo, com aplicação de roteiro de entrevistas semiestruturadas para os atores do governo, do setor privado e da sociedade civil que estão integrados às questões climáticas e energéticas nos estados investigados.

Com base na análise e na discussão dos achados, concluiu-se que a capacidade adaptativa climática nos estados analisados é desafiante para seus governos. Sem integração com outros atores sociais, mesmo em um contexto territorial de alta produção de energias eólicas e solares, essas fontes não são compreendidas como uma abordagem de mitigação, tampouco de adaptação.

Tendo grande valia nos âmbitos social, acadêmico e público, essa pesquisa contribui para o entendimento das mudanças climáticas e das energias renováveis enquanto problemáticas socioambientais. Na academia, possibilita colaborar com estudos no campo das energias renováveis e da adaptação climática, enquanto na gestão pública auxilia os processos de tomada de decisões sobre as questões climáticas e energéticas por parte dos atores-chave relacionados aos temas. (Fonte: Observatório das Metrópoles e Sala de Ciência – UFRN)

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